A evolução do Coronavírus na Itália e as principais recomendações aos brasileiros

O novo Coronavírus segue causando pânico e muitos problemas na Itália e fora dela – Na última segunda-feira o governo decretou “zona rossa” em todo o seu território, isto é, as restrições e medidas excepcionais de quarentena foram estendidas para todo o país na tentativa de conter a epidemia que se espalha rapidamente.
As medidas que antes eram restritas ao norte italiano, valem agora para toda a população de mais de 60 milhões de habitantes. Foram registrados até hoje (10) 10.149 infectados, dos quais 1.004 se recuperaram da doença, 877 pacientes seguem em terapia intensiva e o número de vítimas fatais subiu para 631. Todas as 20 regiões do país possuem casos confirmados.

A Itália é atualmente o segundo país do mundo mais afetado pelo novo coronavírus, atrás apenas da China, onde surgiu a epidemia de Covid-19 em dezembro. As autoridades ainda não sabem ao certo como a doença chegou ao país.

Como tudo começou e o “paciente 0”

Algumas razões podem ter levado à propagação da epidemia na Itália e uma delas é o intenso tráfego aéreo que a nação mantém com a China.
Depois que um memorando entre os dois países foi assinado em janeiro de 2020 visando expandir o turismo, o país se tornou o mais visitado por chineses e a Itália passou a ser nação europeia que mais recebe e envia voos para o território chinês.

Ainda que a origem do surto não tenha sido totalmente esclarecida, as autoridades italianas consideram Mattia, de 38 anos, como o “paciente 0”. O homem foi admitido no pronto socorro do hospital de Codogno, na Lombardia, em 19 de fevereiro com problemas respiratórios. Segundo a imprensa local, ele ficou 36 horas em observação no local, durante as quais entrou em contato com outros pacientes, médicos, funcionários, além de familiares e amigos. Mattia foi chamado de “super contaminador” depois de transmitir a doença à, pelo menos, 13 pessoas em seu entorno. Entre os infectados estavam sua mulher grávida, um amigo com quem ele se encontrou para correr, três idosos que frequentaram o bar gerenciado pelo pai de seu amigo e oito funcionários e pacientes do hospital.
Em contrapartida, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, admitiu que o hospital que tratou Mattia não seguiu o protocolo indicado para doenças infecciosas.
Atualmente, o homem se encontra internado em um hospital no comune de Pavia, após ser transferido do primeiro centro onde se apresentou. Sua mulher está estável e a Procuradoria italiana abriu uma investigação para apurar os erros cometidos pelo hospital no caso de Mattia.

Fatores que fizeram o vírus de disseminar por todo o país 

Inicialmente o Coronavírus estava restrito ao norte da Itália, porém a demora do governo em restringir voos do norte para outras partes do país no início da epidemia é apontada como um dos fatores que levaram à expansão do surto. 

Especialistas também apontam que a administração pouco centralizada da Itália, baseada na força dos governos regionais, pode ter impactado a velocidade da resposta ao surto. Walter Ricciardi, membro da Organização Mundial da Saúde (OMS) e conselheiro do governo italiano, admitiu a jornalistas na semana passada que foi difícil organizar as respostas em nível regional.
“As medidas que foram tomadas recentemente, que o primeiro-ministro e todos os ministros estão atualmente discutindo com as regiões, estão indo na direção certa”, disse. “Mas todos os mecanismos de organização e gestão são confiados às regiões, ao contrário de outros países que possuem uma única linha de comando, e por isso não é coincidência que eles tenham menos casos do que nós atualmente.”

Casos de diagnósticos tardios de Covid-19 também fez com que a doença se espalhasse sem maior controle. Um dos episódios mais comentados foi o de um idoso de 75 anos que morreu antes que a doença fosse identificada.
Morador da comuna de San Marco in Lamis, o homem infectou sua mulher e filha, que depois entraram em contato com ao menos 70 familiares no velório do italiano – todos em quarentena atualmente. Somente após o corpo ser liberado para o enterro o resultado do exame comprovou o diagnóstico de Covid-19, sem tempo para que as autoridades impedissem o evento.

O norte da Itália em “Zona Rossa” – quarentena

No início do surto, as autoridades italianas começaram a identificar as zonas de risco, isolar alguns locais e colocar de quarentena pessoas que tiveram contatos com os primeiros doentes. Já no dia 07 de março, o ritmo elevado da disseminação da doença obrigou o primeiro ministro Giuseppe Conte a tomar medidas mais severas, colocando quase 16 milhões de pessoas (um quarto da população italiana) em quarentena no norte do país. Foi proibida a entrada e saída da região norte da Lombardia – incluindo Milão – e de outras 14 províncias próximas.
As autoridades italianas visavam evitar a qualquer custo o agrupamento de pessoas e a disseminação da doença.

O isolamento de todo o país e as restrições obrigatórias

Nesta segunda-feira (9) veio a medida mais drástica e a Itália inteira passou a ser tratada como “zona rossa” e as restrições anunciadas pelo premiê ampliaram os isolamentos já em vigor na região da Lombardia, no norte da Itália, e em províncias vizinhas para toda a Itália.

Veja as restrições impostas à população:

  • A circulação de pessoas, incluindo turistas, entre cidades fica restrita a motivos relacionados a trabalho ou saúde; Passageiros devem ter uma declaração com a justificativa da viagem, que pode ser checada. Você pode fazer download da Autocertificazione Coronavirus caso necessite se deslocar pelo país. 
  • Proibição de reuniões públicas, inclusive cerimônias religiosas como funerais e casamentos;
  • Fechamento de bares e restaurantes deve ocorrer no máximo até às 18h;
  • Fechamento de creches, escolas e faculdades;
  • Suspensão de todos os eventos esportivos, incluindo futebol;
  • Limitação de visitas em hospitais e outras unidades de saúde;
  • Manter distância de no mínimo um metro um do outro.

“Toda a Itália será uma área protegida”, afirmou Conte, de acordo com o La Repubblica. “Toda a Itália deve ficar em casa. Os hábitos têm de ser alterados para o bem da Itália. Fiquem em casa. Na Itália, só serão permitidos deslocamentos por questões sérias de trabalho e por questões de saúde”, acrescentou o premiê.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elogiou a resposta “agressiva” do país mediante o surto, embora as perdas econômicas sejam grandes.

Medidas básicas de proteção contra o novo Coronavírus

O coronavírus é transmitido por gotículas de saliva. O vírus se multiplica na garganta. A partir daí, os patógenos podem ser expelidos através, por exemplo, de espirro, tosse ou sopro.

O patógeno também é transmitido por contato com secreções contaminadas, como contato pessoal próximo, toque ou aperto de mão, ou por contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

As pessoas podem se proteger seguindo as seguintes recomendações:

  • Manter distância de um ou dois metros de qualquer um que esteja infectado;
  • Lavar as mãos regularmente e cuidadosamente (por pelo menos 20 segundos, com sabão, incluindo os pulsos). Também recomenda-se usar toalhas descartáveis ​​ao secar as mãos;
  • Evitar apertos de mãos, abraços ou beijos;
  • Desenvolver reflexos de autoproteção: pressionar o botão do elevador com a junta do dedo em vez da ponta, tocar em maçaneta de portas com o pulso ou o cotovelo;
  • Evitar lugares e eventos muito frequentados;
  • Evitar tocar no próprio rosto ou de amigos e parentes;
  • Não tocar as mucosas de boca, olhos e nariz com os dedos;
  • Colocar luvas, caso necessário. Lavá-las e trocá-las diariamente;
  • Não espirrar ou tossir na mão. Usar o cotovelo ou um lenço;
  • Descartar rapidamente lenços usados.

Estou na Itália, o que devo fazer?

O Itamaraty estima que cerca de 90 mil brasileiros vivam na região norte da Itália, ou seja, o número total de brasileiros no país é muito maior. O bloqueio, previsto para durar até 3 de abril, é a medida mais drástica desde a restrição de acesso na região chinesa de Wuhan, onde foram registrados os primeiros casos da doença.
O governo brasileiro ainda não tem uma posição sobre a eventual possibilidade de resgatar brasileiros que manifestarem interesse de sair da Itália, como foi feito com os cidadãos do País que estavam em Wuhan, na China, epicentro do surto.
A avaliação do governo é que a situação é distinta, especialmente pelo alto número de brasileiros na Itália. A recomendação tem sido seguir as orientações do governo italiano sobre o tema.

E quem tem viagem de volta marcada para o Brasil ou para a Itália, o que fazer?

Pessoas que têm viagem de volta comprada para o Brasil dentro do período de quarentena ou passagem comprada para a Itália, devem entrar em contato com suas respectivas companhia aéreas e se informar sobre as normas, cancelamentos e possíveis reembolsos cabíveis. Dentro da Europa os voos provenientes da Itália foram todos cancelados.
A Alitalia, por exemplo, emitiu uma nota informando seus passageiros que os mesmos podem trocar as datas das passagens ou alterar destinos sem que multas sejam cobradas. Leia a nota completa da companhia aqui.

Conclusão

Como a Itália vem passando por uma situação muito crítica, o mais recomendado no momento é adiar a sua viagem com destino ao país. A saúde de todos deve ser preservada em primeiro lugar.
Quem tem planos de reconhecer a cidadania italiana em breve, por exemplo, pode aproveitar este período para se dedicar às pesquisas, buscas e análises de documentos.
Enquanto isso seguimos na torcida para que o país se recupere dessa crise o mais rápido possível.

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